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Olhos de cristal

Dizem que sorrio com os olhos, falo pelos cotovelos e meto os pés pelas mãos. Em mim a anatomia não faz o menor sentido. Gosto de ler um toque, de observar com o coração e caminhar com os pés da imaginaçao

Olhos de cristal

Dizem que sorrio com os olhos, falo pelos cotovelos e meto os pés pelas mãos. Em mim a anatomia não faz o menor sentido. Gosto de ler um toque, de observar com o coração e caminhar com os pés da imaginaçao

Melhor ainda que sentir-se amado é saber amar

23.02.18 | Olhos de cristal frio

 

 

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Não daquele que cria ciúmes. Não daquele amor que nos transforma, nos faz esquecer quem somos e de onde viemos. Não daquele amor que cria ódio e inveja. Não daquele amor que nos torna possessivos, doentios e egoístas. Nada disso é amor, tudo isso é outra coisa. Talvez doença. Talvez vírus. Talvez um distúrbio, mas não é amor.

 

Existem milhares de formas de amar.

 

Amor é quando tudo parece estar a desmoronar mas ainda alguém te faz sorrir. Amor é desejo, é companheirismo, é paixão, mas é também amizade. É conquistar juntos um mundo para além do 'eu'. É estar perto mesmo estando longe...


Amor que é amor foge a todas as regras, mexe com a previsibilidade, não se submete a códigos sociais. Amor que é amor não carece de definição, não se explica e a verdade é que nem pode muito o amor. Aliás, pode muito pouco o amor, mas o amor nunca é em vão.

 

Amar tem sabedoria, tem aprendizagem, tem sacrificio...

 

Amor não passa de sentimento, e sentimentos não curam doenças incuráveis, não impedem atropelamentos, não protegem contra a violência social, não saciam a fome, não cessam as guerras, não são o bastante para mudar o curso de um rio. Por mais que se ame, o amor é impotente para a cura.
O amor, sendo só sentimento, não dispõe de instrumental para nada além de amar.
Se o amor pode pouco, amar pode mais. Porque amar faz bem, sobretudo a quem ama.

O coração é o relógio da vida, e afinal, quem não o consulta, anda naturalmente fora do tempo.

 

Amar é o que dá sentido à vida, muito mais do que ser amado. Pessoas são amadas e nem por isso abandonam as drogas. Pessoas são amadas e ainda assim cometem suicídio.

 

Pessoas são amadas e nem sempre amam a quem as ama. Ser amado é bom, é importantíssimo, mas não é o suficiente. Amar é que é vital. É que as pessoas só mudam a si e ao mundo quando elas mesmas descobrem, decidem ou aprendem o que é amar. Amar o que quer que seja: uma pessoa, um bicho, uma causa, um estilo de vida, a natureza... É que amar, e só amar, plenifica, dignifica, justifica a nossa existência. É quando amamos, não quando somos amados é que encontramos a nossa razão de ser. É, pois, só na passagem de objeto a sujeito do amor que nos salvamos. E não, não estou a dizer que amar e ser amado, amar e ser correspondido, não seja a graça das graças, o final feliz que tanto perseguimos e ambicionamos. Mas falar disso seria quase que falar exclusivamente do amor romântico, o que seria, por fim, limitar o amor. E quando se fala em amor, nada há que se limitar.

 

 

Falar do amor, é como falar da eloquência dos sentidos, da retórica do sentir, falar de amor, é viver com a ausência das palavras e mesmo assim falar. Se tudo, é o sentir sem tocar, é o verbo fazer sem ser feito, é ver sem olhar, é não saber e mesmo assim entender tudo, falar de amor, é não alcançar explicação óbvia para o que se sente e ainda assim ter um sentir tão intenso quanto a profundidade inalcançável do mar, é viver infinitamente todo o mistério da vida num único segundo, falar de amor, é não falar, é simplesmente amar....

Ana Elizabeth Baade

 

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